SUS fornecerá medicamentos para pacientes com doença pulmonar



O Sistema Único de Sáude (SUS) passará a fornecer medicamentos para pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Os remédios - budesonida, beclometasona, fenoterol, sabutamol, formoterol e salmeterol - estarão disponíveis dentro de 180 dias na rede pública de saúde. A decisão foi publicada nesta terça-feira (25) no Diário Oficial da União.

Hoje em dia, não há remédios para pacientes com DPOC na rede pública de saúde. Alguns Estados oferecem medicamentos por conta própria. O documento publicado hoje prevê também que exames diagnósticos, oxigenoterapia domiciliar e vacina contra influenza sejam disponibilizados aos pacientes. "Além das novas drogas, o ministério está preparando um protocolo clínico para a doença", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A equipe responsável pelo protocolo analisa a possibilidade da incorporação de mais uma droga ao tratamento, o tiotrópio.

O professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde, Paulo Teixeira, disse que "é uma boa notícia, mas a lista deixa a desejar. É fundamental a oferta também do tiotrópio", avaliou. O remédio, de longa duração, seria indicado para um grupo específico de pacientes. "Autoridades muitas vezes temem que a incorporação de uma nova droga provoque aumentos elevados nos custos. Mas se ela for prescrita da forma correta o efeito é justamente o oposto: a redução do número de internações", disse.

"Como não há nada, é um avanço. Mas não são remédios que indicaria para meus pacientes", afirmou o coordenador da Comissão de DPOC da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Fernando Lundgren.

O número de mortes causadas pela doença aumentou 12% em cinco anos. Em 2005, foram registradas 33.616 e, em 2010, 37.592. Ano passado, foram 116.707 internações. De acordo com Padilha, estima-se que 5 milhões de pessoas tenham DPOC. "Hoje, 15% da população com mais de 40 anos tem a doença", afirmou Teixeira.

Segundo Padilha, as próximas doenças que deverão ter novas drogas incorporadas ao tratamento são esclerose sistêmica e síndrome nefrótica pulmonar.

Do G1