OMS monitora novo vírus da gripe



A Organização Mundial de Saúde (OMS) acompanha com atenção o surgimento de um novo vírus relacionado à síndrome respiratória aguda grave (Sars, na sigla em inglês) ao qual atribui-se a morte de pelo menos uma pessoa na Arábia Saudita e que levou um paciente em estado grave à Grã-Bretanha. Segundo a OMS, trata-se de um coronavírus, pertencente a uma família de vírus causadores de um tipo de gripe conhecido como Sars, a síndrome respiratória que em 2003 causou a morte de mais de 800 pessoas em mais de 30 países, a maior parte na Ásia.
O caso diagnosticado no Reino Unido é o de um homem transferido do Qatar para tratamento em Londres. Ele viajou recentemente à Arábia Saudita e foi internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) depois de ter sofrido falência dos rins.

Ainda não está claro se a mutação viral dissemina-se com a mesma velocidade da Sars de 2003 nem se sabe se ela é tão mortífera quanto o coronavírus de quase dez anos atrás. "Estamos ainda nos primeiros dias", disse Gregory Hartl, porta-voz da OMS. "Pelo momento, temos dois casos esporádicos e ainda há uma série de buracos a serem preenchidos."

Até agora não há nenhuma conexão entre os dois casos a não pelo fato de o paciente ter viajado à Arábia Saudita, onde pelo menos uma pessoa morreu com suspeita de infecção pelo coronavírus, disse Hartl. Até o momento, nenhum outro país comunicou à OMS casos suspeitos da doença.

Não há nenhuma restrição de viagem em vigor por enquanto e a origem do vírus é desconhecida, mas a OMS está preocupada com a iminência do início do Hajj, mês sagrado de peregrinação que todos os anos leva milhões de muçulmanos do mundo inteiro à Arábia Saudita.

Criado aedes aegypti que não transmite dengue

Rio (AE) - Cientistas criaram em laboratório um tipo de mosquito Aedes aegypti que não transmite o vírus da dengue. O resultado da pesquisa, liderada pela Universidade de Monash, na Austrália, e feita em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, está sendo apresentada no 18º Congresso Internacional de Medicina Tropical, no Rio de Janeiro. Os pesquisadores introduziram no Aedes aegypti a bactéria Wolbachia, presente em 70% dos insetos do mundo. Essa bactéria atua como uma espécie de vacina para o mosquito e bloqueia a multiplicação do vírus dentro do inseto. Desta forma, o mosquito não transmite mais a dengue.

A colônia de Aedes aegypti com Wolbachia é criada em laboratório Depois, os insetos são liberados na natureza. Livres, eles se reproduzem com mosquitos locais e a bactéria é transmitida de mãe para filho pelos ovos.

Além de bloquear a transmissão do vírus da dengue, a bactéria também tem efeito sobre a capacidade de reprodução. As fêmeas com Wolbachia sempre geram filhotes com a bactéria - independente da situação do macho. No entanto, os óvulos fertilizados das fêmeas sem Wolbachia, que se acasalam com machos que tenham a bactéria, morrem.

Por conta disso, mesmo que uma pequena população de insetos com a bactéria seja introduzida na natureza, rapidamente esse tipo de mosquito se torna maioria. Foi o que aconteceu nas localidades de Yorkeys Knob e Gordonvale, em Cairns, na Austrália. Apenas cinco semanas depois da liberação dos mosquitos com a bactéria, em janeiro de 2011, a presença de insetos com Wolbachia alcançou 100% em Yorkeys Knob e 90% em Gordonvale.

Os especialistas se referem ao estudo como "potencial tecnologia autossustentável", uma vez que a transmissão da bactéria é garantida no processo reprodutivo do mosquito, dispensando os custos de soltura continuada no ambiente.

No Brasil, o projeto está na primeira fase. Os cientistas estão fazendo, em laboratório, a manutenção de colônias dos mosquitos com Wolbachia e o cruzamento com Aedes aegypti de populações brasileiras.

Da Agência Estado