Ministério estima que SUS tem de 12 a 13 mil leitos de UTI disponíveis para atender pacientes

O Ministério da Saúde informou nessa quarta-feira (25) que estima que o SUS esteja com 12 mil a 13 mil leitos de UTI abertos, que poderão atender os pacientes de coronavírus. Segundo a pasta, esse número era de aproximadamente 5 mil antes de cirurgias eletivas, marcadas com antecedência por não serem de urgência, serem desmarcadas, para abrir vagas em função de pandemia.

O secretário-executivo da pasta, João Gabbardo Reis, destacou que 340 leitos de UTI, de um montante de 540 que o ministério decidiu disponibilizar aos estados na semana passada, estão sendo montados nesta semana.

Ele disse os fabricantes de equipamentos de UTI, como respiradores, continuam proibidos de vender ou exportar sem anuência do Ministério da Saúde. Mas que basta o estado ou município que queira comprar avisar o fornecedor e quantidade de leitos que a pasta autorizará. Nesse sentido, diz ele, São Paulo não precisa ir à Justiça para fazer aquisições.

— Por óbvio que São Paulo, nesse momento, é nossa maior preocupação e é para lá que queremos dirigir a maior quantidade de leitos.

Gabbardo negou os rumores de que a pasta estaria confiscando insumos e produtos hospitalares comprados por governos estaduais e municipais.

— O Ministério tem a dizer que não houve confisco de equipamentos (comprados por órgãos públicos). Houve, sim, confisco em fábricas que tentavam exportar os produtos — afirmou.

Ele lembrou que, nos últimos dias, o governo federal apreendeu 5 milhões de máscaras em Santa Catarina que estavam prestes a serem exportadas. Gabbardo afirmou que o Ministério da Saúde expediu, no total, 71 requisições para o confisco de equipamentos hospitalares que estavam sendo exportados.

Segundo o secertário-executivo, estados como São Paulo não precisam se preocupar com a possibilidade de que equipamentos comprados pelo governo estadual virem a ser confiscados pelo governo federal. Ele disse ainda que o governo estadual precisa apenas comunicar o Ministério da Saúde sobre as compras de equipamentos como respiradores ou leitos de UTI.

Citando a redução no número de acidentes de trânsito, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Wanderson Oliveira, disse que a restrições de circulação auxiliou na redução da demanda por leitos.

— É claro que a quarentena em locais como São Paulo e outras metrópoles, reduziu o número de acidentes de trânsito. Com isso você tem redução de pressão por leitos, pressão por atendimento, por condições, principalmente causas externas, que na rotina diária de uma cidade impactam muito mais um sistema de saúde. O que estamos fazendo é ganhando tempo para nos prepararmos, para deixarmos essas estratégias, aquisições, insumos à disposição dos profissionais — disse o secretário de Vigilância em Saúde.

O secretário disse que há subnotificação de casos graves de sintomas respiratórios internados nos hospitais, que se enquadrariam como suspeitos de covid-19 e têm de ser testados para entrarem na lista de confirmados. De acordo com ele, a responsabilidade de notificação é dos hospitais públicos e privados.

— Sabemos que há subnotificação e pedimos a todas instituições públicas e privadas de saúde que façam revisão dos casos internados com sintomas respiratórios e que façam notificação. A gente já sabe que nem todos os casos graves estão registrados no sistema. Aí não é responsabilidade nem do município, nem do estado, nem do Ministério da Saúde.

Ele afirmou que a pasta enviou 32,5 mil testes aos estados e que os laboratórios públicos estão processando todas as amostras que chegam. Wanderson explicou, no entanto, que em locais com pouca demanda, pode haver a necessidade de se aguardar acúmulo de amostras para não desperdiçar insumos, uma vez que que cada kit enviado testa 20 casos de uma vez só. Se for testada uma quantidade menor, o restante dos materiais é inutilizada.

— É fundamental que se faça a cada conjunto de 20 casos. Porque temos que usar da melhor maneira possível os testes que temos.

Ele lembrou que o tratamento que o paciente terá não sofrerá qualquer mudança com ou sem o teste. Não há remédio para covid-19. A recomendação para quem tem sintomas de gripe é ficar em casa com a família por 14 dias.