Ministério da Saúde diz que vai adotar vacina que 'chegar primeiro com eficácia comprovada'

Foto: Divulgação OSID

O secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Neto, afirmou que a pasta pretende usar a primeira vacina que se mostrar eficiente e segura contra o novo coronavírus. Segundo ele, o fato de o governo federal ter fechado parceria com a imunização de Oxford não exclui as outras opções.

—  A preferência de adoção é a que chegar primeiro com eficácia e efetividade comprovada — disse.

—  Se tem 3, 4, 5, 15 opções de vacina, e essas 15 ajudarem o nosso povo, o governo vai atrás das 15. Não há problema nenhum no fato de ter um acordo com um determinado parceiro que nós fechemos acordo com outros. Não há impedimento nesse aspecto.

Nesse caso, o secretário afirmou ainda que será levado em consideração se o laboratório que produz a vacina terá capacidade para fornecer o numero necessário para o Brasil e se haverá a possibilidade de transferência de tecnologia, a exemplo do que foi acordado com a AstraZeneca, que produz a vacina de Oxford.

— Nada impede que continue o processo de transferência tecnológica (com Oxford) e que o governo possa buscar outra vacina em paralelo. O que é importante é salvar o maior número de vidas o quanto antes — disse Neto.

O secretário Neto afirmou ainda que, uma vez adquirida uma vacina eficaz, toda a população terá acesso, sem exclusão de determinados estados. Os critérios serão definidos considerando ainda o volume de aquisição. Grupos de risco, por exemplo, podem ter prioridade. Questionado como ficará a vacinação, com estados investindo em vacinas diferentes da de Oxford, Neto destacou que a pasta pretende distribuir para todo o território nacional, sem distinção de áreas geográficas.

— Essa estratégia é nacional, então quando pensamos 'tal estado produziu a vacina dele', o que conseguirmos, atestarmos que tem qualidade, conseguir adquirir, vamos disponibilizar a toda a população brasileira. O critério é quem precisa mais, quem tem mais risco e se faz uma priorização, o objetivo é levar a todos que se beneficiariam com a  administração de uma vacina. É preciso ter todo um estudo e  inteligência de fazer isso chegar na ponta de forma mais útil.

Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde, afirmou que o Brasil tem um programa reconhecido de vacinação no país, com capilaridade grande, por meio de 37 mil postos, o que garantirá a distribuição de um futuro imunizante. A estimativa é que o produto demore de 12 a 14 dias para chegar aos municípios mais distantes e menos acessíveis do país. Ele citou como exemplo, sem dar nomes, cidades do interior do Amazonas.

Medeiros esclareceu que quando mencionou que a estratégia de vacinação para covid-19 seria semelhante à estratégia para influenza, se referia ao número de doses, na casa dos 100 milhões. Segundo ele, os grupos prioritários para a vacinação ainda serão definidos de acordo com os dados epidemiológicos da covid-19 no Brasil.

O secretário Neto complementou a fala do colega explicando que o montante de 100 milhões de doses é inicial, ou seja, com a incorporação da tecnologia pela Fiocruz, a fundação terá a capacidade de confeccionar mais imunizantes caso seja necessário.

Renata Mariz e Paula Ferreira. O Globo