PF apreende dinheiro na cueca de vice-líder do governo Bolsonaro em operação sobre desvios em verba da Covid-19

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Aguirre Talento e Julia Lindner

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira uma operação para investigar desvios em aplicação de recursos de combate ao coronavírus  e apreendeu dinheiro vivo dentro da cueca do vice-líder do governo Bolsonaro no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR). Os investigadores que cumpriam busca e apreensão na residência do senador em Roraima encontraram no local cerca de R$ 30 mil. Parte das notas de dinheiro estaria entre as nádegas. A PF registrou em fotos e vídeos o momento dessa apreensão.

Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio, primo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, é lotado no gabinete do senador Rodrigues.  Filho de Rosemeire Nantes Braga Rodrigues, irmã de Rogéria Nantes, mãe dos três filhos políticos de Bolsonaro, Índio foi nomeado em abril de 2019 com salário bruto de R$ 14.802,41. Ele foi assessor de Flávio e  é muito próximo do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Em maio, teve quebra de sigilo bancário autorizada pelo  Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) no inquérito que apura a suspeita da chamada “rachadinha” no gabinete de Flávio.

A operação que teve Chico Rodrigues como alvo foi deflagrada com autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso para investigar desvios milionários em recursos de combate à pandemia destinados por meio de emendas parlamentares à Secretaria de Saúde de Roraima.

A informação sobre a apreensão foi antecipada pela revista "Crusoé" e confirmada pelo GLOBO.

O senador é membro da Comissão Mista do Congresso Nacional que acompanha a execução de recursos relacionados ao combate ao coronavírus.

Procurada, a assessoria de Chico Rodrigues confirmou que houve busca e apreensão na sua residência, mas afirmou desconhecer a apreensão de dinheiro com o senador. Em nota divulgada nesta quinta-feira,  o senador afirmou estar tranquilo: "Apenas fiz meu trabalho de trazer recursos para combater a Covid-19 ", disse o senador

Em 4 de outubro de 2017, o deputado Eduardo Bolsonaro chamou José Guimarães (PT-CE) de "deputado do cuecão", em referência ao episódio no qual um assessor do parlamentar foi flagrado com dinheiro na cueca. No ano passado, ele voltou a chamar Guimarães de "deputado do cuecão" ao reclamar da resistência da oposição para votar a reforma da Previdência.

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Em março de 2016, o presidente Jair Bolsonaro, então como deputado federal, fez um discurso contra o PT no plenário da Câmara.

— Quero dizer ao líder do PT, que há pouco passou por esta tribuna, que presidencialismo de coalizão não é vale-tudo, não. Não é jogar ministério para cima e enfiar dinheiro na cueca de assessor parlamentar, não — disse Bolsonaro.