Bolsonaro discursa a manifestantes que pediam intervenção militar

O presidente Jair Bolsonaro discursou nesse domingo (19) em uma manifestação de apoiadores que pediam uma intervenção militar no Brasil, o que contraria a Constituição.

A manifestação foi em frente ao Quartel General do Exército. Os manifestantes empunhavam faixas e cartazes contra a democracia. O presidente fez questão de estar presente e ainda discursou.

O comboio de Bolsonaro saiu do Palácio da Alvorada às 11h30. O presidente seguiu para a casa do filho, deputado Eduardo Bolsonaro. O deputado postou a foto do encontro em uma rede social.

Dois outros filhos de Bolsonaro também estavam presentes, o vereador Carlos e o senador Flávio Bolsonaro.

Depois, o presidente seguiu para o Setor Militar Urbano. Ele parou em frente ao Quartel-General do Exército, onde manifestantes se reuniram depois de participar de uma carreata que passou pela Esplanada dos Ministérios.

Os manifestantes levavam cartazes com mensagens contra a democracia e proibidas pela Constituição. Eram contra o Supremo Tribunal Federal, contra o Congresso, defendendo uma intervenção militar e pedindo a volta do AI5 - o ato institucional da ditadura militar que fechou o Congresso, cassou políticos, suspendeu direitos, instituiu a censura à imprensa e levou à tortura e morte de presos políticos. Uma das faixas da manifestação deste domingo dizia: “Intervenção militar com Bolsonaro no poder”. Várias tinham textos parecidos, aparentando terem sido fabricadas pelo mesmo fornecedor.

Assim que chegou ao QG Militar, Bolsonaro começou a transmitir ao vivo a participação dele em uma rede social. Nem ele, nem os seguranças usavam máscaras de proteção. Poucos manifestantes estavam de máscaras.

O presidente acenou para dezenas de manifestantes que estavam aglomerados - o que vai contra as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do próprio Ministério da Saúde.

O presidente andou e continuou acenando para os apoiadores. Diante dele, os manifestantes exibiam mais faixas parecidas pedindo intervenção militar, o que fere a Constituição. Um cordão de isolamento impediu que o público chegasse até o presidente

Bolsonaro cumprimentou um policial militar com um aperto de mão e em seguida subiu na caçamba de uma caminhonete branca. Já em cima da caminhonete, ele passou a mão no nariz.

Foi possível escutar gritos de defensores do AI5. Mais gritos defendendo o fechamento do Congresso e do STF. E uma faixa que pedia o fechamento do Supremo e do Congresso Nacional.

No discurso, Bolsonaro falou em democracia, mas em nenhum momento condenou esses pedidos proibidos pela Constituição e antidemocráticos. Ao contrário, disse que acreditava nos manifestantes: “Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. Mais que um direito vocês têm obrigação de lutar pelo país de vocês. Contem com o seu presidente, para fazer tudo aquilo que for necessário para que nós possamos manter a nossa democracia e garantir aquilo que há de mais sagrado entre nós, que é a nossa liberdade”.

Mais tarde, numa rede social, Bolsonaro publicou trecho do discurso em que a faixa que pede intervenção militar, aparece ao fundo.

E fez questão de destacar justamente o momento em que diz que acredita nos manifestantes: "Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil".