Ao menos 172 pessoas com Covid-19 ou suspeita morreram na fila por um leito de UTI em março no RN; número é o maior desde o início da pandemia

Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

Por Leonardo Erys, G1 RN

Pelo menos 172 pessoas morreram à espera de um leito de UTI no Rio Grande do Norte apenas em março, que se tornou o mês com mais mortes por falta de assistência adequada desde o início da pandemia no estado. O dado está no Regula RN, plataforma que monitora em tempo real as internações na rede de assistência para Covid-19 em todo o estado. A consulta foi realizada às 8h desta quinta (1º).

Esse dado ainda pode aumentar, já que algumas mortes são registradas no sistema pelas unidades de saúde dias depois do ocorrido.

Desde o início da pandemia, 634 pessoas já morreram sem direito a um leito crítico no estado. Elas representam cerca de 14% das mais de 4,5 mil mortes por Covid-19 em todo o RN.

Além de ser o mês com mais mortes, março também registrou os dois dias em que mais morreram pessoas à espera de um leito de UTI desde o início da pandemia no estado. Tanto no dia 16 de março quanto no dia 18 de março, 14 pacientes não resistiram aguardar por um leito crítico e morreram antes do atendimento adequado. No dia 19 de março, foram 10 pacientes. Nos dias 14 e 20, foram 9.

E foi exatamente neste dia 16 de março, o maior em número de mortes, que a babá Laisla Coutinho viu o pai e o avô morrerem por Covid-19 em menos de 24 horas sem conseguir leitos de UTI pela alta taxa de ocupação no estado. Luisvaldo Bezerra, de 49 anos, e Clenide Cigósteno dos Santos, de 77, morreram na UPA Cidade Satélite, na Zona Sul de Natal.

Números tão expressivos não aconteciam há oito meses. O mês de junho tinha os maiores registros até então. Naquele mês, morreram 168 pessoas. Os dias 7 de junho, com 12 óbitos, e 6 de junho, com 11, eram os mais fatais até a chegada de março.

Esses pacientes que morrem na fila são regulados com a necessidade de uma UTI, mas não conseguem ser transferidos em função da alta taxa de ocupação dos leitos críticos em todo o estado. Nesta quarta (31), 60 pessoas aguardavam na fila de transferência - esse número chegou a ser maior que 140 em março, quando o governo adotou medidas de isolamento social rígido. A taxa de ocupação dos leitos críticos estava acima de 97%.

Além disso, março superou junho como o mês em que mais morreram pessoas à espera de um leito de UTI mesmo com uma rede de assistência ampliada.

Atualmente, o estado tem mais de 1 mil pacientes internados com Covid-19 entre leitos clínicos e críticos nos hospitais públicos e privados. O maior número atingido em 2020 foi em 28 de junho, quando chegou a 692.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), neste mês de março apenas os leitos públicos contabilizam 826, sendo 386 críticos e 440 clínicos. Em 2020, o máximo atingido foi 676, sendo 316 críticos e 360 clínicos.