Caged: Brasil cria 313,5 mil empregos com carteira assinada em setembro

Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Marcello Corrêa

O Brasil gerou 313.564 vagas de emprego formal em setembro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Economia.

O resultado é o melhor para meses de setembro desde o início da série histórica.

O saldo entre contratações e demissões ficou positivo pelo terceiro mês seguido, após as perdas registradas entre março e junho por causa dos efeitos da pandemia de Covid-19 sobre a economia.

Apesar da recuperação, o número ainda é negativo em 558.597 no acumulado do ano, principalmente por causa dos resultados registrados entre abril e maio.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, participou da divulgação dos resultados, mas não respondeu perguntas da imprensa.

Para Guedes, o número é sinal de uma "recuperação em V" — jargão usado por economistas para descrever uma retomada rápida após uma forte queda da economia.

— Uma excelente notícia, confirmando a volta da economia brasileira em V. É o maior ritmo de criação de empregos já registrado em qualquer setembro. Importante registrar também que todos os setores aumentaram emprego e todas as regiões do Brasil — disse Guedes.

Indústria e serviços puxam alta

Os novos números do Caged vieram melhores que as projeções de analistas do mercado financeiro, que apontavam a criação de cerca de 240 mil vagas no mês passado.

O saldo é resultado da diferença entre 1.379.509 admissões e 1.065.945 demissões no período, informou o Ministério da Economia.

O setor que mais contratou foi a indústria, com saldo positivo de 110.868 empregos no mês passado.

Maior da economia brasileira, o segmento de serviços também ficou no azul, com criação de 80.481 vagas, já descontadas as demissões.

Em entrevista ao GLOBO publicada na semana passada, o economista Daniel Duque, pesquisador da Fundação Getulio Vagas (FGV), alertou para a possibilidade de uma subnotificação das demissões no Caged, o que pode estar inflando os dados positivos.

Na avaliação do especialista, empresas podem ter fechado ou "hibernado" durante a crise, sem notificar o governo sobre as dispensas. Por outro lado, as companhias que mantiveram as atividades reportaram as contratações no período.

Para o Ministério da Economia, os saldos positivos têm relação com a melhora da economia e também foram influenciados pelo programa que autoriza acordos de redução de jornada e suspensão de contrato, com redução proporcional dos salários compensada pelo governo.

De acordo com a pasta, até 23 de outubro haviam sido firmados 18,9 milhões de acordos do tipo, envolvendo 9,7 milhões de empregados e 1,4 milhões de empregadores no país.