Cães são incapazes de transmitirem doença de chagas, assegura veterinário

Embora 40% dos cães do interior do Rio Grande do Norte tenham sido testados soropositivos para a doença de Chagas, conforme pesquisa divulgada na última quarta-feira, 10, o médico-veterinário Vicente Toscano de Araújo Neto afirmou que os animais são incapazes de transmitirem a doença, seja por lambida, fezes ou saliva. Ele esclareceu que o principal transmissor da enfermidade é o besouro barbeiro.

“Esse número representa a ativação da doença no interior do Estado. No entanto, temos que deixar muito claro que o cão não transmite a doença de chagas e nem a leishmaniose (popularmente conhecida como calazar). Não precisa matar ou maltratar os animais, o que precisa ser combatido é o besouro barbeiro”, esclareceu o veterinário, um dos idealizadores da pesquisa.

A recomendação é de que, se encontrado, o barbeiro seja colocado em um pote fechado e levado até a Secretaria de Saúde do município. Além disso, a população também pode evitar alimentos provenientes de áreas contaminadas como forma de não propagar a doença para pessoas próximas.

Segundo Vicente, o procedimento de diagnóstico da doença de chagas no animal é feito a nível de pesquisa, vez que o mercado veterinário não dispõe de testes para detectar a doença, por se tratar de um exame muito específico. Apesar disso, ele garante que a enfermidade não leva os animais a óbito, pois ela não tem sintomas e pode demorar até 20 anos para se manifestar.

“Os seres humanos, na maioria dos casos, são infectados quando são jovens e chegam a óbito no final da vida, após os 70 anos de idade. Os cães funcionam apenas como reservatórios do agente Trypanosoma cruzi. Só que, como eles vivem em média 12 anos, a doença não tem tempo de se desenvolver, evitando que eles morram por causa disso”, concluiu.

Entenda o caso

Uma pesquisa encontrou o agente causador da doença de Chagas em 40% dos cães que tiveram amostras de sangue analisadas no Rio Grande do Norte entre os anos de 2013 e 2016. Os dados colhidos em três cidades do interior do estado foram divulgados em um artigo publicado na revista internacional Acta Tropica – que recebe estudos sobre a saúde humana e animal nos trópicos e subtrópicos.

O principal autor do artigo é o dr. Vicente Toscano de Araújo Neto, que é médico-veterinário, conselheiro do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio Grande do Norte (CRMV-RN) e presidente da Comissão Regional de Agronegócio.

As amostras foram colhidas de animais domésticos em áreas rurais dos municípios de Acari, Caraúbas e Marcelino Vieira. De acordo com os pesquisadores, 40% dos cães foram soropositivos para o protozoário Trypanosoma cruzi – que é o agente etiológico da doença de Chagas.

Por Agora RN

 

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